Trecho de Trópico de Câncer de Henry Miller “Estou sorrindo porque ele sempre toca na questão desse livro que vai escrever um dia, as coisas assumem aspecto incongruente. Basta dizer ‘meu livro’ e imediatamente o mundo se reduz às dimensões privadas de Van Norden e Cia. O livro precisa ser absolutamente original, absolutamente perfeito. Por isso, entre outras coisas, torna-se-lhe impossível começar a escrevê-lo. Logo que tem uma ideia começa a pô-la em dúvida. Lembra-se de que Dostoiévski a utilizou, ou Hamsun ou algum outro. “Não estou dizendo que quero ser melhor que eles, mas quero ser diferente”, explica. E assim, em vez de cuidar do seu livro, lê escritor após escritor a fim de ter absoluta certeza de que não vai invadir a propriedade privada deles. E quanto mais lê, mais desdenhoso se torna. Nenhum deles é satisfatório; nenhum chegou àquele grau de perfeição que ele impôs a si próprio.”
Trecho de Trópico de Câncer de Henry Miller
“Estou sorrindo porque ele sempre toca na questão desse livro que vai escrever um dia, as coisas assumem aspecto incongruente. Basta dizer ‘meu livro’ e imediatamente o mundo se reduz às dimensões privadas de Van Norden e Cia. O livro precisa ser absolutamente original, absolutamente perfeito. Por isso, entre outras coisas, torna-se-lhe impossível começar a escrevê-lo. Logo que tem uma ideia começa a pô-la em dúvida. Lembra-se de que Dostoiévski a utilizou, ou Hamsun ou algum outro. “Não estou dizendo que quero ser melhor que eles, mas quero ser diferente”, explica. E assim, em vez de cuidar do seu livro, lê escritor após escritor a fim de ter absoluta certeza de que não vai invadir a propriedade privada deles. E quanto mais lê, mais desdenhoso se torna. Nenhum deles é satisfatório; nenhum chegou àquele grau de perfeição que ele impôs a si próprio.”